Monday, April 04, 2005

Meu caso , e os danos da cirurgia refrativa

Do ponto de vista cirúrgico, minha cirurgia foi um sucesso: o processo de cicatrização foi dentro do esperado, fiquei com visão 20/20 , a miopia foi reduzida para algo entre 0 e -0,25 em ambos os olhos (segundo teste a partir da tabela de Snellen 6m e 1ano após ), o astigmatismo ficou em 0,75 (ambos ).Porém, reparei que mesmo 6 meses após a cirurgia permaneceram certas dificuldades visuais ,com formações de ‘’halos’’ principalmente ao entardecer e em ambientes fechados ( interior de uma residência iluminada, por exemplo ), e além disso dificuldade para visualizar objetos que refletem ou emitem uma certa quantidade de luz, com prejuízo do contraste (não ser capaz de distinguir o rosto de uma pessoa em frente a uma janela aberta, dificuldade para assistir TV ou cinema com a formação de ‘’clarões’’ – /glare em língua inglesa/ ,etc) . Na época creditei estes problemas ao astigmatismo residual, mas quando foram feitos os óculos é que tive a desagradável surpresa de perceber que eles eram inúteis. Não bastasse isto, passei a perceber também mais de um ano após a cirurgia, dificuldade para focar o texto durante a leitura que não estava relacionada aos halos e glare ( fenômenos que descrevi acima ). Pareciam manchas semi-transparentes ou amareladas distorcendo as letras nos livros .Gradualmente estas manchas passaram a ter conformação mais definida, tomando a forma de ''fios'' , ´´algas´´ ou '' teias de aranha''. Estas manchas são, na verdade, as chamadas ''moscas volantes'', pequenas frações de tecido conjuntivo movendo-se dentro dos olhos, associadas, entre outras coisas, ao Descolamento do Vítreo cujo surgimento é comum até muitos meses após a cirurgia, conseqüência da pressão negativa a qual o olho é submetido pelo aparelho de sucção durante a cirurgia, com o objetivo mantê-lo fixo.

Num retorno ao especialista oftalmologista, e com as queixas acima apresentadas ( já tendo iniciado uma busca pessoal para a resolução de meu problema ), conversei sobre a possibilidade de me submeter a uma nova cirurgia com o uso de uma nova tecnologia , chamada WaveFront .Fiz então um teste terapêutico com colírio de Pilorcapina a 4%.A pilocarpina provoca miose (redução do diâmetro da pupila) e o teste foi favorável, ou seja com a pupila reduzida os halos diminuem ( mas não o glare).Com a pupila miótica a luz não passa pela área não-tratada diferente do que ocorre que em determinadas situações de luminosidade ( que no meu caso são todas aquelas diferentes de um dia ensolarado) quando então a luz entra pela córnea numa área externa àquela que foi tratada, fundindo uma imagem ''não míope'' com a antiga imagem ''míope'' resultando em imagem de qualidade ruim.
Foi proposta então uma nova cirurgia... ou seja, teria que me submeter novamente aos riscos, para resolver uma parte dos problemas que a cirurgia anterior produziu, e com o agravante de que agora já tenho um descolamento do vítreo que não sei se este poderia piorar ainda mais, problema que só seria resolvido com um outro tipo de cirurgia (vitrectomia ) ,a qual não está indicada (por apresentar outros riscos, como desenvolvimento de catarata ....)

Resumindo:

Fiz uma aposta numa cirurgia absolutamente desnecessária, ganhei QUANTIDADE de visão (que eu já tinha usando óculos ou lentes de contato ), mas perdi muita QUALIDADE de visão, com prejuízos que alteraram drasticamente minha qualidade de vida. Restou-me agora a expectativa de me sujeitar novamente a cirurgia para TALVEZ reverter apenas PARTE do que perdi.

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